Atacada há cerca de duas semanas por um pitt bull, a vaca Estrela, que não resistiu aos ferimentos, morreu no último domingo e há três dias seu corpo está abandonado e apodrecendo próximo ao bairro Nadir Kenan. Ao lado do pasto onde estão os restos mortais do animal ficam casas de alto padrão e condomÃnios de luxo.
Dona do animal, a faqueira Neumice Maria da Silva Torres, 44 anos, registrou boletim de ocorrência no segundo DP contra o proprietário do cachorro. Segundo moradores, este não foi o primeiro animal que o pitt bull atacou no pasto onde ficava a vaca. Mãe de Ricardo Alessandro Laeci dos Santos Júnior, de oito anos, a empresária LÃdia Zampieri dos Santos disse que o mesmo cachorro já atacou, há um ano e meio, um jumento criado por seu filho.
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Sustento da famÃlia
Funcionária de um frigorÃfico, Neumice, que recebe um salário mÃnimo e está afastada por motivo de doença, comprou a vaca há três anos. Do animal ela retirava o leite que alimentava os quatro filhos, três netos e a mãe, a aposentada Jane Pontes da Silva, 70 anos. Com a venda de artesanato conseguia pagar o aluguel do pasto. “A vaca era a garantia do leite para a minha famÃlia. Não dá para pagar R$ 3 numa caixinha de leite. É muita gente para sustentar”, lamentou.
Nos últimos dias, Neumice ia todos os dias cuidar de Estrela, orientada por dois veterinários voluntários. “Da prefeitura mesmo, não veio ninguém para ajudar”, relatou.
Em seu artigo 7º, a Lei 2.109 de 23 de julho de 1987 (Código de Posturas) prevê que o recolhimento de animais mortos de grande porte pela prefeitura acontecerá “mediante o pagamento do preço de serviço público, fixado pelo Executivo”. Mas Neumice não tem o dinheiro.
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Aba
Diretor jurÃdico da associação Amigos Barretenses dos Animais (ABA), o delegado Edison Winning define a falta de polÃticas públicas relacionadas aos animais em Barretos como uma “situação calamitosa”. “A ABA sofre um déficit todo mês. Desde janeiro a prefeitura não paga o aluguel [de R$ 1,2 mil] da chácara onde ficam os animais. Vivemos só de doações”, lamentou Winning, que tirou R$ 350 do próprio bolso e comprou uma tela de 25 metros para separar cachorros grandes, pequenos e fêmeas. “Os grandes agridem as fêmeas e não deixam os cachorros pequenos comerem. Então os pequenos morrem de fome”, explicou.
Como a Aba não tem dinheiro para comprar o anestésico usado nas castrações, não consegue conter a superpopulação de cães e gatos na instituição. Winning pede que voluntários que tenham remédios, sobras de materiais de construção e rações entrem em contato com a ABA pelo telefone 8131-3842 ou pelo e-mail aba@ababarretos.org




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