Os irmãos menosprezados
O egoísmo dos homens faz com que alguns tenham demais e muitos passem privações, fome e miséria. Alguns tenham tudo e a maioria quase nada. E nós muitas vezes, colaboramos para que isso aconteça. Não valorizamos o pobre. Quando nos visitam, não raro saem de nossa casa com as mãos vazias, enxotados e desprezados pelo nosso orgulho. E quando lhes damos comida, lhes entregamos o pão seco, que em nossa casa ninguém consegue comer.
Além do sofrimento de serem pobres, muitas vezes lhes colocamos mais um: o de serem humilhados por nós.
Hoje presenciei uma cena que me deixou estarrecido e penalizado: eu aguardava minha esposa, em frente ao INSS, onde na entrada tem uma escada e um elevador para deficientes físicos. Junto à escada e ao elevador havia um senhor de idade deficiente físico esperando pelo responsável pelo manejo do elevador. Quando, de repente, como um bólido… surgiu um elegante jovem cidadão, todo fantasiado de branco, que ao começar a subir a escada, a passos largos e viris, foi chamado pelo senhor de idade, que precisava que alguém chamasse para ele o tal responsável pelo elevador. O elegante e boçal cidadão de branco fez de conta que não ouviu nada. O idoso depois de chamá-lo várias vezes, quietou-se penalizado daquela criatura orgulhosa, vaidosa de uma possível e insignificante cultura que possa ter, e que lhe foi permitida ter por Deus, sem que ele nada mereça…
Assim, como os pobres, muitos idosos, com freqüência educados, instruídos, de famílias conhecidas e que em outros tempos talvez tenham servido demais à sociedade a que pertenceram ou ainda pertencem, são tratados com menosprezo, que não os atinge, mas que os deixa sempre mais convencidos de que a grande maioria dos homens de hoje precisa de perdão, precisa de Deus, para não se condenarem já nesta terra a dores que andam espalhando por aí.




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